[Resenha 14] Suicidas // Raphael Montes

Título: Suicidas
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia Das Letras
Número de Páginas:430
Ano de Publicação: 2012
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"Senti vontade de vomitar. Escorreguei para o chão puto da vida. Puto com Zak. Com o joguinho que ele criara no porão, com a indiferença estampada no rosto de cada um de nós, transbordando no ar envenenado. Merda, quando deixamos de ser humanos? Quando nos tornamos monstros armados, delinquentes? Como umas doses de álcool, alucinógenos e um porão abafado puderam fazer de nós seres tão pífios? E, sim, eu me incluo no grupo. Mesmo achando tudo isso repugnante, não pretendo me levantar daqui. Não pretendo mover um músculo sequer para evitar que tudo isso aconteça. Podem me condenar se quiserem. Pouco importa." (Pág 247)


Olá pessoal!

Hoje trago a resenha do primeiro livro publicado por Rapahel Montes, há um tempo eu queria muito este livro, mas estava esgotado em todas as livrarias, até que a editora Companhia das Letras relançou nesta capa maravilhosa!! 
Não imaginava que o primeiro livro escrito por Montes seria o meu favorito, siimmmm, para mim esta é a melhor obra do autor até agora, obviamente percebemos uma evolução na escrita do autor do primeiro até o quarto livro, mas Suicidas me ganhou pela trama mesmo, a história tão bem articulada e contada pelo autor, e claro, aquele final surpreendente que a gente tanto ama!!

O tema central do livro é o suicídio planejado por 9 jovens que decidiram brincar com a vida um através do jogo, roleta russa.
Assim que o livro começa já somos brindados com esta decisão destes jovens que aparentemente não são amigos e não sabemos os motivos do que os levaram a interromper a própria vida.
O livro é dividido em 3 momentos, a vida do Alê, personagem principal, onde ele conta como se fosse numa espécie de diário os dias que antecederam a roleta-russa; O dia da roleta russa onde Alê com objetivo de escrever um livro e finalmente ser lembrado como um escritor mesmo que na memória, escreve tudo que aconteceu no porão até a hora da sua morte e uma reunião que acontece após um ano do incidente com as mães de cada jovem para esclarecer alguns pontos do livro escrito pelo Alê no dia da tragédia.

Aos poucos vamos descobrindo o motivo que levou cada jovem participar da roleta russa. Apenas os motivos do Alê e Zak ficam aparentemente claros no início do livro. Alê está um pouco desapontado com o fato se não conseguir ser reconhecido na carreira de escritor e Zak pela morte prematura de seus pais. E meio o que me levou a leitura desenfreada do livro foi tentar descobrir o que levou a esta decisão todos estes garotos e garotas?

Um ponto legal do livro é que só temos os fatos que a polícia disponibiliza na reunião dos pais para tentar descobrir, é como se estivéssemos analisando o caso de perto, sem testemunhas e só com os indícios encontrados na cena, as anotações do Alê e seu suposto livro.

Dois pontos que me incomodaram um pouco no decorrer da leitura foi que na parte em que o Alê conta de sua vida antes da roleta russa não tinha uma cronologia muito certa, a gente acaba entendendo pela história mesmo, então acabei parando de ler as datas no início de cada capítulo. E na parte onde acontece a reunião era praticamente diálogos extensos onde percebíamos que as mães estavam bem exaltadas e abaladas com tudo que aconteceu, e o autor ao fim da maioria das frases colocava alguma observação entre parenteses do tipo: "vozes exaltadas" "voz ríspida" isso ficou um pouco chato e cansativo de ler porquê pela própria situação dava para saber que a personagem estaria exaltada ou chorosa ou sarcástica ..

O livro é uma montanha russa de reviravoltas e sentimentos contraditórios em uma página você ama o personagem X e na outra você tem nojo dele. Da para suspeitar de todo mundo, os personagens são bem construídos e a história bem amarrada, cheguei a imaginar um final como o que de fato aconteceu, mas nunca da forma como o autor construiu, muito mórbido, muito a sangue frio, muito como Raphael Montes.

Sem dúvida virou meu preferido, o final me deu um frio na barriga e aquele sorriso nos lábios de satisfação por ser surpreendida mais uma vez pelo autor. A diagramação do livro está perfeita, as três partes muito bem divididas e demarcadas, a capa impecável, agora só me resta esperar pelo próximo lançamento do autor"


"É com isso que convivemos. É com este tipo de coisa que somos obrigados a lidar todos os dias. Temos que encarar a sociedade jogando na nossa cara que somos todos um bando de corruptos. Temos que enfrentar com humanidade, pessoas que agem sem nenhuma humanidade. E, depois de tudo, temos que aceitar que nosso trabalho não adianta nada ... O político volta a roubar. O viciado volta a se drogar. O assassino volta a matar. As coisas continuam como sempre. As pessoas não mudam ..." (Pág 313)

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